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02-08-2010 - Primeiro dia
O curso tem início numa manha ensolarada e fria no Parque Estadual do Itacolomi , numa ação pioneira e voluntária da Associação Montanhas do Espinhaço. Vindos de Belo Horizonte, Ouro Preto e região, entre técnicos, monitores, guardas-parque e empreendedores de turismo, 17 participantes chegam com expectativas diversas.
O gerente da Unidade Juarez Távora Basílio fez a abertura do curso falando da importância da capacitação para os funcionários do Parque, uma vez que a necessidade de estruturação e manutenção adequadas das trilhas dentro da Unidade tem sido prioridade. Segundo Juarez a transferência de técnicas apropriadas e de qualificação do trabalho para os monitores do Parque será fundamental já que permitirá a prática nas trilhas existentes e a abertura de novas da maneira correta, atendendo da melhor forma o uso público e a visitação.
Palavras chaves na expressão das expectativas dos participantes: agregar, aprender, acrescentar, aproveitar, praticar, olhar diferenciadamente, somar, multiplicar, aplicar, recuperar e construir.
Participam pela Associação Montanhas do Espinhaço Herbert Pardini, diretor presidente e instrutor do curso, Jussara Rocha – associada e Marina Moss – voluntária.
O primeiro dia foi voltado ao nivelamento de conceitos e definições importantes para a compreensão prática do curso, utilizando elementos cartográficos e imagens do próprio Parque para entendimento espacial do trabalho.
O tema principal foi o planejamento da trilha e todos os elementos necessários para identificar a melhor forma de implementação: contextos de gestão, socioculturais,biofísicos, público/experiências e recursos.
Uma manhã dedicada à trilha e suas estruturas. Conceitos, nomenclaturas, medições, informações técnicas e operacionais são disseminadas. A trilha em si é o objeto principal. Finalizadas as informações sobre análise de sítio, especificações e detalhamento de tipos de solo, manejo da água, gestão de riscos e demonstração de ferramentas a serem utilizadas no manejo das trilhas.
A explicação e demonstração de uso de ferramentas foi um dos momentos que mais despertou atenção especial da equipe. Vários equipamentos utilizando novas tecnologias puderam ser vistos e manipulados, como também soluções criativas e acessíveis e que podem possibilitar ótimos resultados no manejo de trilhas, considerando inclusive a segurança de quem está trabalhando.
Para a etapa seguinte, os participantes foram convidados a formar dois grupos para o início do trabalho de campo: os Candeias e os Lacustres. O exercício de análise de sítio foi proposto em duas trilhas já existentes do Parque, as Trilhas da Lagoa e da Capela. A observação e a análise detalhada de um local para implantação de uma trilha, foi a base do exercício.
Em duas horas de atividade as equipes vivenciaram etapas importantes do planejamento de uma trilha e puderam sentir a complexidade do trabalho. Ao final do dia a preparação de uma apresentação para todo o grupo. Esse será o começo do 3º dia!
04-08-2010 - Terceiro dia
Inicio do dia: as equipes fizeram os últimos ajustes de suas apresentações da prática do dia anterior. A troca de informações e opiniões se intensificou com o objetivo de demonstrar com eficácia a aplicação dos conhecimentos.
Os grupos demonstraram nível de detalhamento e observação acurada, participação e integração entre seus membros. As apresentações deixaram clara a importância do conhecimento agregando valor à atividade profissional cotidiana de cada um deles. Características de um local para a implantação da trilha, oportunidades e ameaças, gestão de riscos, declividade, solos, regime de águas, tipos de vegetação. O planejamento como ferramenta de trabalho.
Um novo olhar: esse foi o principal depoimento de todos! Os temas do dia: Manutenção e Construção de trilhas. Quais os principais problemas identificados? Como fazer os reparos necessários? Os mesmos são possíveis? Que equipamentos e ferramentas utilizar? Qual o investimento necessário?
As pessoas e suas habilidades específicas. O conteúdo deste terceiro dia demonstra a importância de equipes multidisciplinares, onde os conhecimentos e habilidades se integram num único objetivo.
A utilização na prática de equipamentos como o clinômetro, foi o exercício do dia. As equipes utilizaram locais onde puderam experimentar o aparelho e compreender melhor atributos importantes como declividade, inclinação e sentido.
Aspectos importantes para a construção também foram abordados como limpeza da área, manejo da água, estaqueamentos, correções de bordas e taludes e implantação de estruturas como escadas, passarelas, guarda-corpos entre outros.
Do planejamento à definição das características e traçado da trilha, à decisão final, as contribuições são as mais diversas.
A partir de amanhã, mãos na trilha! Será realizada a prática de mapeamento e de manutenção em uma das Trilhas do Parque Estadual do Itacolomi.
05-08-2010 - Quarto dia
Um dos maiores desafios do curso é a aplicação prática dos conhecimentos adquiridos. A prática de mapeamento do local, o uso dos equipamentos, a divisão das tarefas e sinergia do grupo na condução do processo ocuparam a manhã das duas equipes, que se dividiram em dois trechos da Trilha do Forno.
A tarefa consistiu em colher todas as informações necessárias para elaborar os mapas da trilha considerando traçado, design e características de usuários. O exercício demonstrou a amplitude e a possibilidade de gerar mapas e perfis de percursos com poucos recursos, mas com técnicas corretas, conhecimentos matemáticos e criatividade.
Cada equipe, considerando as habilidades de seus componentes, apresentou no início da tarde um mapa detalhado do traçado, um mapa de perfil, um desenho mostrando as intervenções sugeridas pelos integrantes e uma relação de ferramentas para a tarefa seguinte: a manutenção dos trechos mapeados.
Esta prática trouxe aos participantes do curso a oportunidade de aplicação da técnica de mapeamento atendendo a várias necessidades da Unidade de Conservação. Ao transpor os dados coletados para o papel, a informação espacializada permite melhor compreensão das necessidades de intervenção e pontos de manutenção.
O passo seguinte, a definição do trecho a receber a manutenção, as etapas do trabalho e a divisão das tarefas. Desta vez o grupo não se dividiu e antes de dar inicio à ação, um dos participantes fez uma apresentação adequada sobre o uso das ferramentas e os procedimentos de segurança necessários. Última tarefa: a limpeza da trilha.
Ferramentas em punho, atribuições definidas, o grupo segue em frente rumo a trilha.
Em menos de uma hora e meia, um trecho considerável foi trabalhado deixando o terreno pronto para o acabamento na manhã do último dia!
Ao cair da tarde um novo trecho sem dúvida se evidencia, assim como, o entendimento diferenciado do processo e a visão ampliada sobre o fazer e o utilizar.
06/08 – Quinto Dia
O dia começou com as expectativas de ver o aprendizado na prática e os resultados de tudo que foi aprendido e processado. A parte da manhã foi dedicada ao término do trabalho de manutenção na Trilha do Forno, iniciado no dia anterior.
O grupo se reuniu e logo partiu para o local com as funções definidas e os equipamentos distribuídos. O processo de limpeza da trilha, correções na altura do corredor, na largura do piso, o replantio de espécies e pequenas intervenções foi executado observando os procedimentos técnicos corretos, tendo também como orientadores os monitores e guarda parques que dispunham de conhecimentos agregadores, tanto no uso de equipamentos, quanto no conhecimento de espécies nativas da flora ou de habilidades para cálculos necessários.
Ao final da manhã, o resultado amplamente registrado foi o de uma nova Trilha, menos densa e estreita, mais limpa e confortável para os visitantes, mais segura acima de tudo. Durante o trabalho foram também sugeridas algumas possibilidades de mudanças de pequenos trechos, visando salvaguardar áreas de relevância histórica ou natural e que acabam perdendo elementos de interpretação ou proteção se expostas ou escondidas demais.
Ainda pela manhã foram feitos alguns exercícios relativos ao cálculo de intervenções como degraus, muito comuns em algumas trilhas da Unidade.
No período da tarde, o tema Monitoramento foi objeto de discussão, uma vez que todo o trabalho de manejo das trilhas requer definição de indicadores baseados nos elementos chave do trabalho, buscando a verificação e as correções necessárias para o alcance dos resultados pretendidos quando do planejamento inicial.
A partir deste tema, os participantes foram divididos em três grupos por área de atuação: Parque, Lavras Novas e IEF, objetivando a construção de um plano de ação com metas de curto prazo utilizando os conhecimentos recebidos, considerando a possibilidade concreta de execução até dezembro de 2010.
Apresentados os planos, o curso foi encerrado com a apresentação de um pequeno filme com depoimentos colhidos durante o curso, onde os participantes puderam expressar suas considerações e sugestões. Ao final, a emoção contagiou a todos com os agradecimentos expressos pela Associação Montanhas do Espinhaço e por participantes que deixaram evidente a importância da iniciativa, o ganho de conhecimento, a agregação de valor ao trabalho cotidiano de todos e o diferencial de qualidade que passa a ser conferido à Unidade de Conservação.

