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A Chapada Diamantina constitui-se em uma unidade de relevo própria, sendo o prolongamento da Cadeia do Espinhaço, que se inicia em Minas Gerais e penetra a Bahia na região de Guamambi, com o nome de Serra Geral. Esta última unidade de relevo é separada da Chapada Diamantina pelo vale do rio Paramirim, afluente da margem direita do rio São Francisco.
O Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) situa-se no centro do Estado da Bahia (BA) e foi criado pelo Decreto Federal N°. 91.655, de 17 de setembro de 1985, ocupando uma área de aproximadamente 152.400ha. Seu objetivo, segundo o Decreto de Criação, é proteger amostras representativas da serra do Sincorá, uma das feições que compõem a chapada Diamantina que, por sua vez, faz parte da Serra do Espinhaço. Além disto, o Parque é uma área rica em nascentes, em uma região seca, e tem exuberante beleza cênica, tornando-o atraente para o turismo. Abrange os municípios de Andaraí, Ibicoara, Itaetê, Lençóis, Mucugê e Palmeiras. O Parque é um grande mosaico de tipos únicos de vegetação, em uma combinação única entre três biomas – caatinga, cerrado e mata atlântica. Cerca de 65% da Unidade é coberta por campos rupestres com espécies endêmicas como o lírio Hippeastrum solandrifoliu; as bromélias Alcantarea nahoumii, Cryptanthus diamantinense, Orthophythum amoenum e O. burlemarsii; a onze-horas Portulaca wendermanii; as orquídeas Sophronitis bahiensis, S. pfisterii, S. sincorana e Thelychista ghyllanyi; o candombá Vellozia sincorana; a canela-de-ema V. punctulata; a variedade de erva-mate Ilex paraguariensis var. sincorensis, entre numerosas outras. Alguns gêneros de planta são restritos à Unidade ou a áreas próximas, como a conhecida malvácea Rayleya bahiensis e a orquídea Adamantinia miltonioides, por exemplo. Os Gerais do Parque Nacional da Chapada Diamantina diferem dos demais, ecossistemas extensos e característicos dos afluentes da margem esquerda do rio São Francisco, mais precisamente localizados entre o sudoeste da BA e o noroeste do Estado de Minas Gerais. Por sua vez, as florestas do Parque são compostas por matas de grotão (vales encaixados), matas de encosta, matas ciliares e matas de planalto. Outra particularidade é a existência de extensas áreas alagadas, com vegetação típica local, predominando macrófitas aquáticas e com muitas aves aquáticas típicas de tais ambientes. O destaque no caso é para uma grande região alagada, que recebe a denominação local de Marimbus, na área leste do PNCD.Outro aspecto importante é a presença de sítios arqueológicos pré-históricos (oriundos da ocupação pré-colombiana e, geralmente, representados por pinturas rupestres) e históricos (vestígios da ocupação recente, pós-indígena, como a exploração garimpeira ou pecuarista), situação ainda pouco estudada no contexto da ocupação pretérita dessa região do Nordeste brasileiro, indicando haver diferenças significativas quando seu patrimônio é comparado ao que já se sabe dos estudos, especialmente no Parque Nacional da Serra da Capivara e, mais recentemente, no Parque Nacional da Serra das Confusões.
Destaca-se ainda o incontável número de nascentes existentes na área do Parque, que descem da serra do Sincorá e drenam para fora dos limites do Parque, alimentando diversos rios perenes e que formam uma rica drenagem. Um caso especial a ser mencionado é o caso das nascentes do Parque que fornecem água para o rio Paraguaçu, rio importante para a Bahia, que alimenta inúmeros municípios ao longo do seu percurso e o qual abastece grande parte da população da região metropolitana de Salvador.
Fonte: Plano de Manejo Parque Nacional da Chapada Diamantina
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